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O que explica a forte alta do mercado de ações nos EUA em 2023 e o que esperar para 2024?

A história do S&P 500 no ano de 2023 se confunde com a trajetória das Magnificent Seven (magníficas sete, em tradução literal), as gigantes da tecnologia que a apresentaram as maiores do ano. O índice teve alta de 27,81% em 2023 (até 19 de dezembro) e grande parte da valorização foi puxada por sete companhias, conforme aponta levantamento realizado pelo consultor independente, Einar Rivero, para o InfoMoney.

Levantamento das maiores e baixas de ações que compõem o índice S&P 500. Fonte: Einar Rivero para InfoMoney

O grupo é composto por Alphabet (GOOGL), Amazon (AMZN), Apple (AAPL34), Meta (M1TA34), Microsoft (MSFT34), Nvidia (NVDC34) e Tesla (TSLA), e representa setores de tecnologia, comunicação e consumo discricionário , os grandes destaques das duas principais bolsas americanas.

“Em geral, se tira as sete, a alta do S&P foi bem modesta”, explica William Castro Alves, sócio e estrategista-chefe da Avenue, considerando que as grandes ações de tecnologia elevaram o patamar de valorização. De acordo com o estrategista, é possível considerar que existem dois mundos do índice, um dos 7 e outro composto por demais 493 companhias.

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Desempenho das sete maiores companhias do S&P 500 (em verde) em comparação com a trajetória das outras 493 empresas que compõem o índice. Fonte: Guilherme Castro.

As sete companhias tiveram alta de inteligência de 75% em 2023. Entre os fatores que explicam a entrega das companhias estão: a inserção em artificial, a falha de desempenho em 2022 (recuperada em 2023) e a reestruturação interna das companhias com cortes de custos em busca de ganhos de eficiência.

“As empresas conseguem entregar bons números pautados nos ganhos de eficiência”, considera o estrategista-chefe. Além disso, Castro destaca que as companhias são consideradas anticíclicas e confiáveis ​​para entregarem produtos e serviços que seguirão em uso pelos consumidores.

“Muitas dessas empresas foram beneficiadas pelo crescimento em importância da temática de Inteligência Artificial, e o índice em geral se beneficiou da continuidade de estímulos fiscais, poupança residual, injeção de liquidez na economia”, pontua Paulo Gitz, estrategi sta global da XP.

O destaque do ano foi a Nvidia, principal player de inteligência artificial, que apresentou valorização superior a 200%. Pelo porte da companhia, seu peso no índice é grande e representa parte significativa na alta.

Mapa que representa pesos de companhias no índice S&P 500. Fonte: William Castro, com dados retirados da ferramenta Finviz. Extraído em 19/12/2023.

Economia resiliente e reprecificação de ativos

“Foi um ano que surpreendeu a todos na resiliência da economia americana e, em termos de preço de mercado, foi-se revendo algumas coisas que foram colocadas nos preços em 2022. Em especial, a ideia de que os juros subiriam para 6%, 7 % ao ano”, comenta Castro.

O primeiro evento que apresentou a direção futura das taxas foi a quebra do Sillicon Valley Bank, que foi estopim para outras quebras, como o Signature Bank e o próprio Credit Suisse. Ainda assim, a economia segue resiliente até que a inflação passa a ceder e os analistas questionam a possibilidade de juros passarem do intervalo entre 5,25% e 5,50% atuais.

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Com a transferência, explica Castro, houve um movimento de reprecificação de ativos que explica parte da alta vista pelo principal índice dos EUA. O avanço do S&P 500 corresponde, principalmente, ao crescimento observado pelo Magnificent Seven ao longo de todo o ano, enquanto as companhias menores que compõem o índice relativamente alto.

As incertezas em torno das políticas econômicas e orçamentárias, assim como os desafios como o déficit orçamentário e os novos gastos propostos pelo governo explicam, em parte, as desvalorizações observadas nas bolsas americanas, de acordo com Rodrigo Ichaso Rodrigues, alista da Anova Research.

“A combinação de gastos governamentais elevados, crescimento econômico robusto,
Os desafios orçamentários e as incertezas em torno das taxas de juros podem ter contribuído para a volatilidade nas bolsas dos Estados Unidos”, sustenta Rodrigues.

Entre os setores, como companhias de tecnologia, serviços de comunicação e consumo cíclico foram destaque positivo. Na outra ponta, companhias de consumo mais básico e saúde avaliadas, assim como energia e utilidades.

No setor financeiro, os bancos maiores apresentam boas performances, ao contrário dos bancos regionais, diretamente impactados pelo episódio envolvido no Sillicon Valley.

“Os setores com características mais defensivas, como o de saúde, bens de consumo e utilidades públicas, tiveram desempenhos piores que o índice, especialmente por possuírem perfil de retorno mais detalhados a títulos de renda fixa. Já o setor de energia teve desempenho negativo devido à queda nos preços das commodities energéticas, antes do enfraquecimento da demanda global”, explica Gitz.

O que esperar até 2024?

“O mercado foi muito rápido em antecipar o cenário em novembro e dezembro já. Mas, a curto prazo, ainda vejo espaço para alguma correção nos juros, para arrefecer um pouco a bolsa”, pondera William Castro.

Pelas projeções previstas pelo estrategista, há expectativa de menor crescimento, mas sem recessão. Para as bolsas lá fora, isso pode significar que não haja grande expansão de lucros e múltiplos, mas não há consenso no mercado sobre a possibilidade de alta ou estabilidade.

“O mercado atualmente precifica que já pode ocorrer cortes na taxa dos Fed Funds a partir do primeiro trimestre de 2024. Entretanto, devido à inflação de serviços ainda fortemente pressionada e efeitos defasados ​​​​ainda não coletados na magnitude adequada para o início de uma normal A ização de juros, o tempo de economia da XP espera que o início do ciclo de cortes ocorra apenas a partir de maio, podendo chegar a um total de 150 pontos-base em 2024”, considera Gitz.